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Fortaleza da Arrifana

Decorre quase 85 anos até se encontrar de novo notícias do passado desconhecido desta fortaleza. Somente em 1754, um documento guardado na Torre do Tombo no Ministério do Reino, revela que a fortificação de Arrifana, possui duas peças de artilharia, de calibres 12 e 18 respectivamente, em bom estado de conservação e prontas a disparar. Desta data conhece-se uma planta da fortaleza da autoria de Francisco Lobo Cardinal, onde se vê a bateria, o corredor (desfiladeiro) e os alojamentos.
O terramoto de 1755 arruinou totalmente a fortaleza, segundo revela o relatório do Pároco de Aljezur, Martinho Pereira da Silva, “aqui o mar recolheu 30 braças e voltando por três vezes, investiu contra os muros da fortaleza com tal ímpeto, destruíram o desfiladeiro, bem como as estruturas, ficando em pé apenas a bateria e a cortina amuralhada da porta de entrada”.
Devido à posição estratégica da fortaleza da Arrifana, então com grande valor, por ordem do Marquês do Louriçal, Governa-dor do Reino do Algarve, no ano de 1762, foi reedificada de novo a fortaleza, mas no inverno de 1765, deu-se nova investida do mar, o desfiladeiro voltou a ser de novo destruído, tendo a sua reconstrução custa-do 50$000 reis, tendo sido feita nova planta com os estragos causados.
Em 1771, foram feitas obras de reparação necessárias para colocar o forte de novo em estado operacional. Em 1792 o Forte encontrava-se artilhado com duas bocas de fogo montadas e era guarnecido por 1 cabo e 6 soldados, mas o seu estado de conservação era mau, sem porta e as abóbadas do corpo da guarda e do paiol danificadas.
Não se conhecem obras na fortaleza da Arrifana após esta data (1792), caindo o mesmo em ruínas e ao abandono. Em 1796 ainda dispunha das duas bocas de fogo, mas a partir de 1815 os relatórios oficiais efectuados à fortaleza da Arrifana, nomeadamente em 1821, 1840, 1849 e 1861, assinalam apenas a existência dos restos das muralhas da entrada, ao meio dos quais se situava a porta.
As peças de artilharia, ainda ali se encontravam em 1821, já desmontadas e em 1840 já só lá estava uma.
O forte foi abandonado durante várias décadas, até que por um auto de devolução, assinado a 20 de Abril de 1940, o mesmo foi entregue ao Ministério das Finanças, deixando de ser considerado como Fortificação Militar. O Ministério da Marinha, em 19 de Setembro de 1940,recusou receber o que restava da fortaleza de Arrifana, o qual foi posto à venda por 52$00, tendo dado o seguinte despacho “são as desmanteladas ruínas de um velho reduto, sem o mais leve interesse, quer histórico, quer artístico, nada justificando a sua conservação na posse do Estado”.
No entanto, quatro anos depois, em 17 de Março de 1944, a Comissão do Domínio Público Marítimo, definiu que o local onde existiu o forte da Arrifana, devia ser entregue aos seus cuidados, o que na realidade veio a acontecer a 25 de Novembro, daquele mesmo ano, numa cerimónia realizada na Direcção de Finanças de Faro.
Trezentos e setenta e seis anos após a sua construção, o antigo forte Filipino, volta de novo a ser reabilitado, por acção do Município de Aljezur, com apoio financeiro do Polis Litoral Sudoeste e a colaboração da ADPA. São quase quatrocentos anos de história, colocados à disposição dos milhares de visitantes que todos os anos visitam este miradouro da Praia da Arrifana.
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Fundada em 12 de Fevereiro de 1996.
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